sexta-feira, junho 08, 2007

Poemetos

Nesta noite tudo posso desejar
Desejo que tudo passe sorrindo
O amor e a dor de ver passar
Minha vida sem teu sorriso.


Planto a semente para germinar a vida
Colho da vida a minha própria semente.
Se passo os dias a remexer a terra,
Como posso querer me tornar gente?

faço poesia
como quem responde à vida
entupida de tantas armas
quero mais é que os versos
matem minha sede de harmonia.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Em sonho

em sonho
dormi contigo
acordei sorrindo!
que pena
os sonhos acabam
a gente continua indo...

Meu Ribeirão

O Ribeirão sempre me pareceu
parado no tempo,
absorto.
Como a esperar o amanhã
mais colorido, até.
Era só pintar as casas
com cores novas, eu pensava...
amava com carinho a minha terra
minha, de meu pai, meu tataravô
que fugiu da guerra e
por esta terra se lançou ao mar
de tão distante, se perdeu
parou aqui, na rua estreita
na vila de pescadores
de Nossa Senhora da Lapa
Oh santa, protejei do alto do morro
os teus fiéis, infiéis também.
Ribeirão da rendeira
do terno de reis,
da dona Maroca na janela
sabendo da vida de alguém.
Ribeirão, nunca morei lá
meus sonhos sim
criam raizes naquela terra
nas areias da freguesia.
Na amendoeira da tia Ady
que cresceu antes de mim
e ainda lá está
meio torta,
já esmagada pelo progresso
pelo excesso de concreto.
Vou lá, vez por outra
levar meus filhos pra sonhar
brincar nas águas claras
ainda limpas.
Onde podem ver peixes,
pegar pampinhos e soltar
ter os pés beliscados pelo siri.
E a sorrir vamos nos virando.
Ribeirão dos encantos
dos vôos de criança
da Ilha da Magia
de meu eterno sonhar.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Sem sol meu corpo esfria
sem chuva minha grama é nada
se esquenta, a vida me confia
um desabrochar de alma lavada.

Água na boca

Foi em tua boca
noite passada
que descobri meu corpo.
Foi em teu corpo
que minha boca
arriscou desejos, suspiros.
Estavas, porém, longe...
Minha boca molhou,
atiçou tua formosura.
Mas não encontrou teus lábios,
não te trouxe pra perto
Perdeste até o tempo
- não deu água na boca -
o corpo recusou.
Fomos amigos, então
Dormimos abraçados
Dois anjos calados, colados
a procura do céu!

domingo, janeiro 14, 2007

Rabiscador

Por vezes
me acho um rabiscador
jogando no papel as emoções
Outras vezes descubro que a vida
é mesmo um construir de ações.
Como diria o poeta
nunca estará pronta minha edição convincente.
Por isso, prossigo escrevendo
contando os versos no caderno
até que um dia eu possa dizer
que minha vida é mais
que um rabisco eterno.

terça-feira, novembro 14, 2006

Minha primavera

Quando setembro findar
estarei mais cheia de flores
bordarei de perfume minha cabeceira
encherei de néctar a banheira
para esperar meus amores.

E eles virão
tão cheios de vida, sem pudores
que não caberei em mim.
Virarei borboleta colorida
pousarei dividida pelas cores,
serei rainha do néctar da primavera
Estação de alegrias e dores.

E a chuva constante
molhará minhas asas
voarei por entre os matizes
como gota divina na aquarela
Pintarei minha vida sem deslizes.

E o futuro?

Toda noite me preparo
me encho de convicção
esperando que nada mude
que eu viva pela razão.
E toda manhã, surpresa
uma nova paixão.
Te encontro renovado
E eu perdida no coração.
Sem razão vou partindo
A emoção a dominar
No futuro, a esperança
De tudo equilibrar.
Partilhar contigo os sorrisos
Mas não esquecer de chorar
Viver a vida, os amigos
Parar de ser, e estar.
E o futuro vai se definindo
Num passe de mágica a bordar
Minha colcha de retalhos presentes
Meu eterno caminhar.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Tua Boca

Em tua boca
passeio meu corpo
em teu corpo
minha boca desnuda
a paixão quase insana
o tesão que me faz muda.

Tua boca
satisfa-se em meu corpo
Minha boca
experimenta teu gosto
longe de nós, só o pecado
junto estamos como anjos alados.

E a tua boca
já toda rosada
em minha boca
ainda mais corada
salivas e línguas se confundem
doces sabores que nos iludem.

E nesta mais doce ilusão
tua boca suspira o prazer
minha boca se enche de paixão
nesta troca de fluidos, o dizer
Nunca mais serás o mesmo
e eu nunca mais ficarei a esmo.

Minha boca em tua boca
parece até uma loucura
desejo mais é ficar louca
completamente insana de doçura.
Completa em mim o teu desejo
e terás pra sempre o meu beijo.

terça-feira, outubro 03, 2006

Meu coração

Em nossas noites de amor
Meu coração bate descompassado
não sabe se estaciona, extasiado
se corre apressado, com vigor.

Do teu corpo que fazer-se parte
Em parte, quer vibrar com a canção
Não sei se o escondo esta tarde
ou se o deixo ao sabor da emoção.

Meu coração é meu maior tesouro
minha sensação e minha poesia
empresto uma parte de seu ouro
mas escondo minha maior alegria.

Se quiseres um dia conhecer
o que guardo cá dentro do peito
será preciso aprender:
me amar será o único jeito.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Asfalto

Tórrido asfalto, escaldante
matando de sede a linda flor
Insiste em nascer na correria
no meio de nada, só amor.
Os carros vão e vêm
esmagam-na todos os dias
resite, porém, ao tempo e à insensatez
prefere o calor à indiferença fria.
A flor que no asfalto vai vivendo
ensina uma lição a cada dia
é como o amor que cresce entre os espinhos
doi demais, não há mais bela poesia.

domingo, setembro 17, 2006

Vinho

Teu corpo é como vinho
me entorpece, me fascina
deixa encorpada, curtida
Me faz querer ficar em teu ninho.
E se peco, querendo um copo a mais
logo vejo, sinto e te tomo
em meus braços, perco o sono
quero é viver nesse torpor, nessa paz.
Mas vinho se bebe aos poucos
e assim faz bem ao coração.
Teu corpo quero ter numa canção
tocada suave, baixinho, pra não ficarmos roucos.
E de gota em gota, gole em gole
vou te curtinho por inteiro
vou te banhando de meu cheiro
e enchendo nossa vida de amor.

domingo, agosto 20, 2006

Borboleta

Ando colorida, vez por outra
a borboletear pelos jardins
não quero rosas, nem camélias
quero mesmo é um cantinho pra mim.
Onde eu possa esconder minhas asas
cansadas de aparecer
onde eu possa virar lagarta
buscar energia pra crescer.
Meu casulo não será lacrado
para que possam entrar os amigos,
pra que eu possa respirar outros ares
e lembrar do que sempre fui.
Vou virar borboleta nova
menos colorida e mais feliz
Vou voar pelas cidades
vou fazer o que sempre quis.
Cidades não têm muitas flores
sei disso mais do que ninguém
mas ser borboleta não tem sentido
se não for pra alegrar alguém.
Por isso voarei de casa em casa
a procura de uma flor
quando encontrar, descansarei a asa
vou tentar virar amor.

sábado, agosto 12, 2006

Pais

Sempre pensei que a vida
não pudesse me surpreender
mais do que já tinha
sido surpreendida.
Tive pai que não foi pai
Tive mãe que não teve tempo
de ser mãe
Tive mãe e pai em uma só
fada madrinha.
E novamente tive pai
Tive mãe que foi mãe
mesmo não sendo.
Então fui mãe
e pude conhecer um pai
que não foi meu
mas de meus pequenos anjos.
Hoje, mesmo distante
não do corpo, mas da emoção
meu pai
é meu novamente.
E nesse dia dos pais
penso em todos eles,
esses pais travestidos ou resgatados
que me fizeram ser eu
que me aceitaram como sou
que me lembram
a cada dia
o quanto é fundamental
o amor.

E a vontade?

A vontade é laço forte
que une, acena emoção
Vontade alimenta a saudade
esquece a seriedade,
entrave para o coração.
Mas há que se pensar
que a amizade não tem hora
é vontade de abraçar
sentir o calor do outro
sem esfriar na aurora.
Pensando bem, com o sentimento
vontade não tem razão de ser
a não ser como alimento,
Pra alma e para o corpo
sem pensar em entender.
Vontade é o que vem de dentro
sem precisar desaquecer.
Queria ter eu sempre vontade
da saudade da tua amizade
Poder tocar o coração quieto
e fazer disso necessidade.

segunda-feira, julho 03, 2006

Relato de infância

Ainda me lembro quando criança, quando chorei pelo Brasil. Uma despedida emocionada daquela grande seleção de craques da Copa de 1986. Foi um choro sentido, comoção de verdade, de ver meu sonho canarinho - do meu ídolo Zico - ir pousar em outras nações.

Neste sábado revivi um pouco daquela emoção. Desta vez contive o choro, afinal, já não tenho mais 12 anos, meus ídolos agora são outros, muito distantes do futebol. Mas, confesso, torci por vezes como criança. Esbravejei, joguei junto, fui mais técnico do que Parreira, chutei o que Ronaldinho nenhum chutou, comprei camiseta e bandeirinha. Remei contra a maré caseira, que insistia em dizer que era apenas um jogo, que não valia a pena torcer assim...Torci e perdi, mas tudo bem...

Gosto de futebol. Desde pequena, sempre foi a minha praia. Estava sempre no meio dos meninos, jogando junto, agarrando todas, sob o som das vaias das minhas amiguinhas, sob o olhar desconfiado da mãe delas. E sempre me orgulhei disso. Os meninos da minha rua já até nem ligavam mais, me escalavam para o time. E entre tantas caneladas, sobrevivi e sobreviveram eles.

E a paixão pelo futebol, e pelo Flamengo (timão), hoje me dão energia pra jogar com meus filhos, com vontade e alegria, não por obrigação mas por diversão. E o futebol vai seguindo por minha vida...Meus filhos sonham como futebol...um quer ser Robinho, o outro Dida. Talvez nenhum deles chegue a concretizar o sonho de menino.. Assim, como aconteceu comigo. Afinal, quando criança a gente sonha em ser um pouco de tudo... nem sei se sonhei em ser jogadora, porque naquela época ainda não tinham times femininos.
Não quero deixar de torcer, nem que seja para o Marcílio, que morre mais na praia do que qualquer marinheiro...Pra mim faz bem...e ponto final!

terça-feira, junho 06, 2006

Cem razoes para amar

Se eu não tivesse
mais do que cem razões para amar,
amaria sem ter razão
amaria simplesmente por emoção.

Se minhas razões
ficassem sem ter o que falar,
amaria sem pronunciar
amaria só por amar.

Se minha alma de criança
não pudesse mais contemporizar,
amaria sem tempo nem espaço
amaria solta no ar.

Se meu desejo insano
deixasse de se revelar,
amaria ser ter desejos
desejaria não te amar.

Se meu corpo morresse agora
com um grito preso na garganta,
amaria feito criança
alma solta na tua eterna lembrança.

sexta-feira, maio 12, 2006

Amor de Mãe

Chorar quando tu choras
Sorrir quase sem hora
Conter a cada perigo
Sofrer a cada desafio
Suspirar com a vitória

Percorrer antes o caminho
Recontar o que já foi dito
Acalentar ante o sofrimento
Se alegrar com o contentamento
Desfazer o mal feito

Sentir um pressentimento
Apostar no sucesso
Culpar-se pelo fracasso
Anular preferências
Errar com transparência

Esquecer a dor de parir
Criar sem distinguir
Querer a perfeição
Aceitar o imperfeito
Morrer para salvar
Dar sem receber
Amar por amar

sexta-feira, abril 28, 2006

Separação

Descobri contigo
Que vou morrer sorrindo
De contentamento.
Minha boca pode estar cerrada
Meus olhos não dirão mais nada
Mas se olharem fundo
Ultrapassarem meu corpo
Me encontrarão em outro mundo
Ainda com lágrimas nos olhos
Com a saudade batendo apertada
Mas com a certeza
Da alegria de voltar pra casa
Para preparar tudo
Para a chegada de meus amores.

Janelas da alma

Quando abro uma janela
É como se descortinasse a vida.
Sinto o sol entrando sem licença
sinto a alegria invadindo o pensamento.

E na lida de todo dia
abro as janelas de minha casa.
Duro é abrir as janelas da alma!
Travam sempre a cada desafio.

Empurro, puxo, forço um pouco
e elas - por fim - abrem com o esforço.

Sempre sei o que devo fazer...
lubrificar a mente!
Aperto um parafuso aqui,
tenho um bom pensamento ali
E no abre e fecha da vida
minha janela vai abrindo-se
para a eternidade.

As janelas da alma
sempre me fazem ser mais eu.