quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Passar do Tempo


Ah ! se houvesse tempo
E espaço e corpo
E sol e as estrelas.
Ah! se houvesse vontade
Fôlego e coração
Para desvendar os segredos
De tudo o que nos cerca
De tudo o que nos força
A subir e descer.
Ah! Se houvesse gente
Mente e direção
Para dar as mãos
Segurar os pés
Alçar os vôos sem nossas asas.
E se tudo houvesse
E eu não estivesse aqui?
Ficaria sem graça
Sem jeito e de pirraça
Cantaria a desgraça
De ver tudo passar.
De ter tudo e não usar
De apenas reclamar.
Por isso aqui estou
Com tudo e sem nada
Mas a mente satisfeita
A casa refeita
A espera do desabrochar.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Minhas Mãos


Minhas mãos descansam
por um minuto
Da correria da vida,
Da pressa do tempo…
Mas não se cansam da lida!
Não querem  pintar e escrever a vida
De quem não merece uma linha.
Querem
Uma mão amiga
Para tocar com prazer,
Para entrelaçar o querer,
Para nunca mais afastar.
Minhas mãos
Querem esperar pela poesia
Que brota do coração
Enfim… pegar o pincel
E no papel, o instante eternizar!
Como poesia pintada
Marcada de alegria
Banhada pela magia
De meu recomeçar.

(Esta poesia é parte do livro que escrevo em parceria com a artista plástica portuguesa Maria Garcia. O quadro é dela)

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Crônica de Natal - Meu querido Papai Noel


Piçarras, 23 de dezembro de 2010


Meu querido Papai Noel,

Já tenho nove anos, e quanto mais os anos passam, mais vamos esquecendo do senhor. Acho que é natural. Barbas brancas, roupa vermelha...Já não acreditamos mais ou, pelo menos, desconfiamos mais desses olhares cansados, suados, embaixo dessas roupas pesadas. Nada a ver com o nosso calor de verão.
Este ano, porém, tive que escrever uma carta para o senhor. Coisas da escola! Não queria, mas tive que querer. Fazia parte de um projeto da sala. Na carta, nada de pedir presentes, nada de contar indiscrições do tipo: se fui um bom menino. Fiquei mesmo aliviado! Afinal, não queria mentir. Então, claro, escrevi minha história em poucas linhas. Nove anos é muita historia para uma cartinha só. E o meu conhecimento ainda é pouco. Então contei o essencial. A carta foi para o correio. Depois disso, esqueci.
As férias estavam chegando, as provas passando, o ano parece que correu depressa! É até engraçado:  todo mundo quer que o Natal chegue, mas todo mundo reclama que o tempo passa! Na verdade, gente grande é complicada. Por isso, quando se vai crescendo, tudo parece que vai ficando sem graça, sem cor. E passa rápido mesmo! Ainda bem que sou meio criança, meio adulto. Então o tempo passa meio tudo. Meio rápido, meio devagar...
De repente, nos últimos dias de aula, chegou a sua cartinha pra mim. Fiquei surpreso, mas também ansioso. Sabia que não tinha presente, é claro, mas era a cartinha do Papai Noel.
Abri, e que decepção! Papai Noel errou meu nome. Justo o meu nome.  A professora tentou explicar, minha mãe criou mil desculpas. Mas não tem desculpa, o senhor não acha? Não dizem que Papai Noel sabe tudo, que entrega todos os presentes, que vai a todos os lugares do mundo?  E não sabe meu nome?
Corta essa! Você está mesmo é velhinho, acho que até está caducando. Escrever meu nome errado? Então não sabe ler? Não viu a cartinha que mandei? Acho melhor o senhor começar o ano de novo, fazer tudo novamente – vai repetir de ano!!
Eu sei que Papai Noel não existe, agora ficou provado. Mas o senhor sabe que tem criança que acredita e, às vezes, é bom mesmo acreditar! Por isso, escrevo essa nova cartinha só pra reforçar a ideia e lembrar que no próximo ano, o senhor não esqueça de ninguém. Não erre o nome das crianças! Porque o senhor pode até não entregar o presente que a gente quer, mas errar o nome?!
Tô ficando até chato com isso, né? Ainda mais pra quem tem muitos nomes como o senhor: Pai Natal, Santa Claus, Papai Noel... Mesmo assim, o senhor tem que entender. Todo mundo tem um nome! A gente se sente mais gente quando tem um nome. Se sente até especial.
Já pensou, esquecerem seu nome? De Jesus muita gente já esqueceu e olha no que deu!!
Guerras, brigas, injustiça, fome. Minha mãe diz que isso tudo é culpa de quem não lembra de Jesus, não fala seu nome.
Então, o senhor já sabe.  Nunca erre e esqueça o nome de ninguém!! Assim, ninguém também esquece do senhor!

Abraços,

Natalino

PS: Se der, apareça no Natal para o meu vizinho, João. Ele gosta muito do senhor! Não esqueça: JOÃO!

segunda-feira, novembro 15, 2010

Sonhar

Durmo e acordo
E ainda estás no mesmo lugar
No lado esquerdo do peito
Na parte reservada
para o grande amor
Não sei o que faço
Se sigo o rumo sem olhar pra traz
Se abro uma nova porta
Pra entrar um novo começar
Mas há que se saber
Que quando um rio caudaloso
Passa
Deixa um rastro de sua água fria
E limpa
Que mata a sede, molha a alma
E é impossível apagar
Sua lembrança.
Então por vezes peço chuva
Pra que possa renovar em mim
As promessas, as lembranças
A saudade
Que nunca apaga.
Meus sonhos sonham algo
Que desejo
Que suspiro
Que revejo
E se tudo não for eterno
E se tudo não fosse belo
Não teria espaço em mim.
Acordo e durmo
E meu corpo relaxa dos dias
Minha alma acorda para as noites
E tudo recomeça
Minha alma briga, cobra
Rebate, alucina
Está tudo aqui ainda...
Tudo e todo o amor
Aonde quer que eu vá
Há um recomeçar
Então enxugo as lágrimas
Pra alegrar meus meninos
Pra não machucar meus sonhos
Pra recomeçar, e de novo
Marcar meu sonho
Com o eterno amor.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Reflexão

Pra conhecer a vida
É preciso já ter morrido
É preciso já ter perdido
Um amor, um valor
É preciso ter se descuidado do prumo
E depois, em prantos, ter pedido tudo
De volta, como sempre, ou como nunca.
Pra conhecer a vida
É preciso ter sofrido a perda da morte
É preciso ter estado sem Norte
Revisitado a cada dia o mesmo caminho
E achado novos trilhos,
ainda que com o mesmo trem.
Pra conhecer a vida
É preciso morrer aos poucos
O velho hábito de querer sempre mais
Basta-nos o que já somos
Basta-nos o que já fomos
É preciso apenas viver intensamente
Sempre, a cada dia presente,
Nas portas da plenitude.
Pra conhecer a vida
Basta-nos ser e sentir
Ver e ouvir
Dar e amar.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Novos rumos

Há na vida
tantos rumos
que nos cabe atravessar
tantos muros
fora do prumo
que o certo mesmo
é pular
há na vida
tantos sumos
para da vida sugar
tantos gostos, expostos
falta é tempo pra
saborear
E se nos falta a certeza
de como começar
recomeça, a cada instante
nosso desejo de estar
sempre presente
rente
às portas do amar.

Sou um barco vazio

Sou um barco vazio
Pelas margens do rio
Vejo ao longe um porto
Mas há parada de dor
Não tenho como
- Nem vontade -
De ficar nessas águas
Frias
Breve é meu sentir
Como é breve o olhar
Teu prazer tão distante
Mas ainda por mim
Presente, intensamente
Forte
Não é simples
navegar nas águas da emoção...
mas quem não tem
medo de naufragar,
segue adiante.
Confiante
Que um dia
Há de ancorar.

quinta-feira, junho 10, 2010

Relembrando

Revendo meus escritos aqui no blog, achei este texto..Tudo bem que foi escrito há quatro anos, mas o que se lembra da infância quase não se muda...se completa. Aqui, a única coisa que eu poderia completar é que agora, não choro mais sozinha. Estamos na Copa do Mundo da África do Sul - 2010. Choro e torço com meus filhos, também amantes desta arte que é o futebol!!

 Relato de infância


Ainda me lembro quando criança, quando chorei pelo Brasil. Uma despedida emocionada daquela grande seleção de craques da Copa de 1986. Foi um choro sentido, comoção de verdade, de ver meu sonho canarinho - do meu ídolo Zico - ir pousar em outras nações.

Neste sábado revivi um pouco daquela emoção. Desta vez contive o choro, afinal, já não tenho mais 12 anos, meus ídolos agora são outros, muito distantes do futebol. Mas, confesso, torci por vezes como criança. Esbravejei, joguei junto, fui mais técnico do que Parreira, chutei o que Ronaldinho nenhum chutou, comprei camiseta e bandeirinha. Remei contra a maré caseira, que insistia em dizer que era apenas um jogo, que não valia a pena torcer assim...Torci e perdi, mas tudo bem...

Gosto de futebol. Desde pequena, sempre foi a minha praia. Estava sempre no meio dos meninos, jogando junto, agarrando todas, sob o som das vaias das minhas amiguinhas, sob o olhar desconfiado da mãe delas. E sempre me orgulhei disso. Os meninos da minha rua já até nem ligavam mais, me escalavam para o time. E entre tantas caneladas, sobrevivi e sobreviveram eles.

E a paixão pelo futebol, e pelo Flamengo (timão), hoje me dão energia pra jogar com meus filhos, com vontade e alegria, não por obrigação mas por diversão. E o futebol vai seguindo por minha vida...Meus filhos sonham como futebol...um quer ser Robinho, o outro Dida. Talvez nenhum deles chegue a concretizar o sonho de menino.. Assim, como aconteceu comigo. Afinal, quando criança a gente sonha em ser um pouco de tudo... nem sei se sonhei em ser jogadora, porque naquela época ainda não tinham times femininos.
Não quero deixar de torcer, nem que seja para o Marcílio, que morre mais na praia do que qualquer marinheiro...Pra mim faz bem...e ponto final!

sexta-feira, maio 14, 2010

Quando os anos passam...

Tem pelo menos um dia em cada ano, que nos faz pensar nos anos que já se passaram...No meu caso, 36 anos de muitas experiências. Se eu dissesse que todas essas experiências foram boas, seria mentira. Isso não quer dizer que não foram importantes, especiais para a formação de quem hoje sou. Mas, agora me pergunto, quem sou eu? O que tenho feito de mim mesma, o que tenho me mostrado, o que tenho feito com meus pensamentos, com minhas ações.
Sei que sou uma pessoa que precisa de desafios pra se superar. E que desafios me coloquei pra que pudesse ultrapassá-los!! Tenho tendência a me acomodar, e por obra de Deus e de meus bons amigos espirituais, a vida vem sempre a me dar um chute na bunda..uma forma de pular para um outro degrau. Por vezes extremamente alegres estas minhas subidas.(Subidas, sim, porque não acredito em retrocesso na vida). Outras vezes, subidas penosas, dolorosas mesmo.
Por tudo o que passei, acredito em mim, na minha força interior, no meu poder de mudança. Nem sempre essa crença, porém, está visível pra mim...Preciso mergulhar no meu profundo interior e resgatá-la. Como agora.
Agradeço a Deus pela minha vida, pelos meus filhos, pelas minhas escolhas (sensatas ou não). Agradeço pelos amigos que tenho feito ao longo da estrada. Agradeço por ter conquistado amigos, afinal, muitos passam pela vida apenas com coleguinhas, com falsos amigos, com ilusões...

Neste ano que agora recomeça em mim, neste dia de apagar as velas e dos pedidos, peço a Deus apenas compreensão e sabedoria pra dar os passos que minha perna podem alcançar. Para falar apenas o que meus ouvidos gostariam de ouvir, de ouvir tudo o que preciso e o que meus amigos precisam dizer.Que Deus me dê paciência apra entender meus filhos, e para entender que talvez não me entendam agora. Que Deus me dê coragem pra enfrentar os novos desafios e que meus passos sejam firmes, mas não pisem em ninguém; que sejam suaves, mas me sustentem no chão.Que eu possa ser o que devo ser. Mãe, mulher, amiga, lutadora, companheira...Obrigada, senhor, pela chance de ser quem sou!

segunda-feira, outubro 26, 2009

Minha oração


Que o presente não seja uma saudade.
E que o futuro não se torne um grilhão.
Que seja possível tanto sorrir
Quanto derramar um pranto.
Mas que o pranto não me desfaça 
A fé de poder no futuro te sentir.
Que a partida não seja ingrata,
E que a chegada não deixe um vão.
Que o amor seja a porta que abre
E que não haja nenhum sonho vão.
Que se possa dizer com as palavras
O que se vai no coração.
Que a dor não se agigante no peito

Nem que o peito em pedra fique
Que se risque a palavra maldita
E para tudo se ache um jeito.
Que os encontros sejam desejos
Que o desejo não vire prisão
Que a faca de dois gumes
Não se torne também solidão.
Que as mais belas lembranças
Não fiquem apenas guardadas
Que sejam compartilhadas
A cada dia em recomeço.
Que o medo não seja amigo
Dos dias, das horas a te pensar
Que seja linda a alvorada
Da nova vida a recomeçar.
E que o rumo do caminho
Não se torne bifurcação,
Que a estrada seja encantada
Que caminhe sempre para a união.

segunda-feira, julho 27, 2009

Manga-coco

O Ribeirão da Ilha sempre foi mágico pra mim. Nasci praticamente lá (a maternidade no centro foi um detalhe). Foi lá minhas primeiras peripécias sobre uma bicicleta (o que me rendeu um curativo espetacular). É lá onde moram minhas mais gostosas lembranças das férias, dos pés de frutas, dos meus namoricos; minhas lembranças visuais das casas antigas, do morro verdinho atrás de casa, da fogueira junina na casa da vó Anita, dos folguedos carnavalescos do Zé Pereira, do orgulho sempre contido de ver meus parentes conduzirem os cantos e encantos na banda Nossa Senhora da Lapa. É no Ribeirão que moram minhas lembranças gostosas da praia calma e limpa, das brincadeiras com os primos, do bolinho de chuva com suco servido na beira da prai pela madrinha, da caminhadas de fim de tarde com a Tia Marinez, para tirar as gordurinhas da adolescencia. E nessas gostosas caminhadas, um cheiro e um sabor sempre ficaram: o da manga-coco. Os pés gigantes das mangueiras ao longo da estrada, nos terrenos baldios, eram pratos cheios de sabor para a nossa paradinha rápida da caminhada. E um dia, tentando fazer poesia com o violão, me deparei, na lembrança, com esse cheiro e o sabor da manga-coco. Nem sei se os pés ainda estão lá, se a manga-coco ainda deixa seu cheiro e sabor peculiar por aquelas bandas. Mas, o que importa. Foi só unir o passado e o presente e saiu uma canção. Uma espécie de bossa para a poesia.
O tema, talvez , só faça sentido pra mim. Mas já é o suficiente para que eu a cante sempre.
Um dia, gravo ela e coloco como um vídeo para os meus amigos escutarem. Agora, vai a letra...




Ai que saudade da ilha
Da Ilha de Santa Catarina

Lá na praia tem
um pé de manga-coco
e quando o vento bate
deixa muito louco
todo mundo passa
e sempre pega um pouco
dessa fruta doce
que faz lambuzar, ah, ah

Ai que saudade da ilha
Da Ilha de Santa Catarina

Por favor rapaz
Tome muito cuidado
que essa fruta é boa
mas tem um caroço
que se for chupar
tu fica todo doido
com essa maravilha
que é a manga-coco...

Ai que saudade da ilha
Da Ilha de Santa Catarina

Um dia me disseram
que essa manga veio
com aqueles negros
escravos da Bahia
que foram criados
com a violência
mas são todos filhos
da mãe poesia...

Ai que saudade da ilha
Da Ilha de Santa Catarina

Se você chegar
pra conhecer a ilha
e quiser comer
dessa maravilha
que é a manga-coco
pode perguntar
onde é que fica
o Ribeirão da Ilha...

Ai que saudade da ilha
Da Ilha de Santa Catarina

sexta-feira, maio 01, 2009

A porta

Quando abro uma porta
é para conter o desejo
de ver-te trancado por dentro
pra nada mais fazer.
Por isso vivo tentando
arrancar as portas em mim
que me fecham para o mundo
que me levam pra longe de ti.
Bom mesmo seria não ter porta
viver com a alegria de apenas estar
não importa se dentro ou fora de casa
mas aconchegado no verbo amar.
Minha porta do coração
pensei abrir só por fora
por isso nunca pude me esconder
Hoje sei que abro apenas por dentro
e melhor não ter os segredos
que é para o amor encontrar.
Vou me desfazer de todas as portas
que um dia consegui esculpir
o que interessa agora é o caminho
que ainda tenho por abrir.

Vinho

Teu corpo é como vinho
me entorpece, me fascina
deixa encorpada, curtida
Me faz querer ficar em teu ninho.
E se peco, querendo um copo a mais
logo vejo, sinto e te tomo
em meus braços, perco o sono
quero é viver nesse torpor, nessa paz.
Mas vinho se bebe aos poucos
e assim faz bem ao coração.
Teu corpo quero ter numa canção
tocada suave, baixinho, pra não ficarmos roucos.
E de gota em gota, gole em gole
vou te curtinho por inteiro
vou te banhando de meu cheiro
e enchendo nossa vida de amor.

sábado, agosto 25, 2007

Voando

Ando sem tempo
as palavras ao vento
capricham e vão...
correndo, correndo
voando contra!
Não tenho adendos,
não estou pronta
pra continuar.
Então me aqueço
com palavras, juntando os dedos
torcendo mesmo pra dar certo
as minhas rimas desconcertadas.
Os versos vem e vão
mais perdidos que os pensamentos...
Fico por aqui,
pra não me atrapalhar
pra não espantar
pra não voar....mais alto.

quarta-feira, julho 04, 2007

sexta-feira, junho 08, 2007

Poemetos

Nesta noite tudo posso desejar
Desejo que tudo passe sorrindo
O amor e a dor de ver passar
Minha vida sem teu sorriso.


Planto a semente para germinar a vida
Colho da vida a minha própria semente.
Se passo os dias a remexer a terra,
Como posso querer me tornar gente?

faço poesia
como quem responde à vida
entupida de tantas armas
quero mais é que os versos
matem minha sede de harmonia.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Em sonho

em sonho
dormi contigo
acordei sorrindo!
que pena
os sonhos acabam
a gente continua indo...

Meu Ribeirão

O Ribeirão sempre me pareceu
parado no tempo,
absorto.
Como a esperar o amanhã
mais colorido, até.
Era só pintar as casas
com cores novas, eu pensava...
amava com carinho a minha terra
minha, de meu pai, meu tataravô
que fugiu da guerra e
por esta terra se lançou ao mar
de tão distante, se perdeu
parou aqui, na rua estreita
na vila de pescadores
de Nossa Senhora da Lapa
Oh santa, protejei do alto do morro
os teus fiéis, infiéis também.
Ribeirão da rendeira
do terno de reis,
da dona Maroca na janela
sabendo da vida de alguém.
Ribeirão, nunca morei lá
meus sonhos sim
criam raizes naquela terra
nas areias da freguesia.
Na amendoeira da tia Ady
que cresceu antes de mim
e ainda lá está
meio torta,
já esmagada pelo progresso
pelo excesso de concreto.
Vou lá, vez por outra
levar meus filhos pra sonhar
brincar nas águas claras
ainda limpas.
Onde podem ver peixes,
pegar pampinhos e soltar
ter os pés beliscados pelo siri.
E a sorrir vamos nos virando.
Ribeirão dos encantos
dos vôos de criança
da Ilha da Magia
de meu eterno sonhar.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Sem sol meu corpo esfria
sem chuva minha grama é nada
se esquenta, a vida me confia
um desabrochar de alma lavada.

Água na boca

Foi em tua boca
noite passada
que descobri meu corpo.
Foi em teu corpo
que minha boca
arriscou desejos, suspiros.
Estavas, porém, longe...
Minha boca molhou,
atiçou tua formosura.
Mas não encontrou teus lábios,
não te trouxe pra perto
Perdeste até o tempo
- não deu água na boca -
o corpo recusou.
Fomos amigos, então
Dormimos abraçados
Dois anjos calados, colados
a procura do céu!